O PSD Almada pôs fim à coligação com o PS que manteve na Câmara de Almada nos últimos sete anos, tendo votado contra o orçamento municipal de 2025 durante a Assembleia Municipal que decorreu esta sexta-feira, dia 19 de dezembro.

Desta forma, o orçamento de Almada acabou chumbado com 20 votos contra: CDU (11), PSD (três), Bloco de Esqueda (três), Chega (dois) e CDS-PP (um). A favor votaram 18 eleitos: os representantes do PS (16), o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica (independente) e a deputada municipal do PAN.

Com um valor total de 182,3 milhões de euros, o orçamento para 2025 tinha sido aprovado em reunião de Câmara com a abstenção do vereador do PSD, Nuno Matias. No entanto, na Assembleia Municipal, os três deputados eleitos pela formação mudaram o sentido de voto, inviabilizando o documento.

O voto contra do PSD foi anunciado pelo presidente da concelhia, Paulo Sabino, recentemente reeleito. Depois de “sete anos de cedências” à maioria socialista, “em nome da estabilidade”, o PSD Almada “cansou-se de esperar que o PS deixe concretizar” as medidas que os sociais-democratas defendem, afirmou o líder da formação em Almada, durante a sua intervenção.

“Chegamos ao final de 2024 e temos uma vez mais um orçamento que é uma desilusão. Para além de ignorar as propostas do PSD Almada, ignora princípios importantes para nós e necessários para os almadenses”, prosseguiu Paulo Sabino, antes de enumerar algumas das medidas apresentadas pela formação, como a “redução de impostos” como o IMI ou o IRS, uma “estratégia de atração de investimento”, a “gestão mais eficiente dos recursos financeiros e humanos”, a “remodelação dos mercados municipais” ou a “criação de uma verdadeira incubadora de empresas em Almada”. Tudo iniciativas que “foram recusadas por opção política do PS”, afirmou o dirigente.

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“Perdeu-se a confiança”, concluiu Paulo Sabino, criticando Inês de Medeiros por nunca se ter sabido bem “qual era o seu projeto para Almada”. Além disso, “o PS falha na defesa dos almadenses porque não pensa estrategicamente na gestão do concelho”, acusou o autarca.

Por sua vez, Inês de Medeiros mostrou-se surpreendida com a postura assumida pelo PSD, que acusou de estar dividido. “A negociação decorreu normalmente com aquele que é o representante do PSD com quem nós trabalhamos. Não sabíamos que havia facções”, disse. “Fiquei surpreendida ao saber que o PSD afinal queria fazer propostas”, afirmou a autarca, recordando que o orçamento foi viabilizado em reunião de Câmara pelo vereador Nuno Matias.

Inês de Medeiros criticou ainda a “nova fação do PSD” por apresentar “propostas que incluem uma redução das receitas de 8,5 milhões de euros”, ao mesmo tempo que pede mais investimento. “Onde é que o PSD propõe cortar? Nos trabalhadores da câmara”, acusou.

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